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ENTENDENDO A PSICOLOGIA DA PROCRASTINAÇÃO

  • Foto do escritor: Tiago Quevedo
    Tiago Quevedo
  • 16 de out.
  • 4 min de leitura

Vivemos numa era obcecada pela mensuração do desempenho imediato:


Quantas tarefas foram riscadas da lista? Quantos e-mails foram respondidos? Quanto progresso tangível foi registrado?


O problema é que nossa energia muitas vezes não se mantém a mesma o tempo inteiro. Somos seres humanos, sofremos, temos relacionamentos, imprevistos; por fim, procrastinamos e sofremos. Sofremos porque nos culpamos!


Mas e se a raiz do problema da procrastinação não estiver no que medimos, mas no enquadramento que utilizamos para valorizar nossa ação?


E se a chave não for focarmos nos resultados visíveis, mas entendermos e focarmos nos processos invisíveis que os geram?


Esta é a proposta desta reflexão: Pare de mensurar sua produtividade apenas pelo produto final realizado. Comece a analisar sua mente e seu corpo. Comece a sair da inércia psicológica despendida em cada tarefa e a entender os medos inconscientes que você tem quando procrastina.


Por que está mudança de perspectiva é crucial? Porque o resultado final é uma consequência. E toda consequência depende de variáveis incontroláveis: prazos externos, interferências, cansaço acumulado.


Já o investimento psicológico e o autoconhecimento são soberanos. São uma escolha interna. Dependem da sua intenção e vontade regulada e da sua ação deliberada, independente do contexto.


Quem vive na neurose da performance, esquece de fazer o importante e foca somente no urgente, passando o dia inteiro apagando incêndios. Além disso, tais gestores, por terem um baixo conhecimento de si mesmos e de possíveis sintomas psicossomáticos, só procuram ajuda psicológica quando estão em grande sofrimento. São pessoas que têm estado sempre em estado de ansiedade antecipatória. Vivem na aversão à tarefa. Vivem na autocrítica paralisante. Porém, quem foca em saúde mental e autoconhecimento, vive em estado de agência pessoal. Vive com presença mental. Vive com autorregulação.


O que é, na prática, sair da inércia psicológica? É sentar para escrever o primeiro parágrafo, aceitando que será imperfeito. É abrir a planilha complexa e revisar apenas uma aba, sem a pressão de resolvê-la completamente. É dar o primeiro passo em um projeto ambicioso, ancorando-se no processo, e não no produto distante.


Sair da inércia psicológica é a ação tomada com integridade volitiva, mesmo na ausência de garantias de sucesso ou de recompensa emocional imediata – em outras palavras, é fazer o que tem de ser feito.


Como transcender a procrastinação e cultivar uma mente mais proativa e centrada?


1. Redefina a Tarefa como "Ativação Neurocognitiva" Antes de encarar a tarefa aversiva, reformule-a mentalmente. O objetivo não é "terminar o relatório", mas "ativar os circuitos neurais" relacionados àquela atividade por 5 minutos. Simplesmente entenda que você precisa sair da inércia e dessensibilizar esse “monstro imaginário” que a tarefa se tornou.


2. Substitua a Exigência de Desempenho pela Prática da "Exposição Gradual" Como menciono e ensino em meus treinamentos e no consultório, a procrastinação é, frequentemente, uma fobia à própria tarefa. Trate-a como tal.


3. Pratique a "Valorização do Contexto" A mente procrastinadora desvaloriza o self futuro. Treine a conexão emocional com o seu "eu" de amanhã. Mostre para sua mente que a tarefa é importante para que você concretize sua imagem mental.


4. Leia seu corpo – Se cuide! A procrastinação muitas vezes é seu corpo reclamando de baixa energia. Você tem se hidratado? Qual a qualidade do seu sono? Como anda sua alimentação?


5. Aprenda a delegar Sim, existem várias tarefas que podem ser automatizadas ou delegadas. Reflita a respeito e confie em mim!


6. Adote a "Observação não-Julgadora do Impulso" A procrastinação é sustentada pelo julgamento automático ("que preguiça", "não vou conseguir", "não tenho energia para lidar com essa tarefa complexa"). Converse com sua mente. Diga que você apenas irá começar, que você tem capacidade e sabe que, no fundo, pode ser feito.


7. Divida, depois fatie, depois divida novamente Tarefas grandes paralisam. Unidades mínimas de ação engajam.


8. Reconheça a Procrastinação como um Sintoma, não uma Falha de Caráter A autocompaixão é um antídoto psicológico para a paralisia.


9. Confie na Neuroplasticidade: Todo Investimento Altera seu Cérebro Cada ação deliberada, por mais ínfima que seja, fortalece circuitos neurais de proatividade e autorregulação. Persista. Sua mente é como um músculo que, aos poucos, ganhará mais força.


Conclusão Quem vive na neurose da execução a qualquer preço emocional, vive refém da própria mente. Quem se alia à sabedoria de conhecer a si mesmo, assume a autoria da própria vida.


Entendo que você tem procrastinado e que sua produtividade precisa melhorar, mas ela não é o objetivo direto. O objetivo direto é o ato soberano de pensar, sentir, se conhecer e ter paz de espírito.


Sigamos em frente! Grande abraço!


Tiago Quevedo | Psicólogo Clínico | Administrador | Professor | Mestre e Especialista em Administração.

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Referências:


Pychyl, T. A. (2019). Solving the Procrastination Puzzle: A Concise Guide to Strategies for Change. Penguin.

Steel, P. (2010). The Procrastination Equation: How to Stop Putting Things Off and Start Getting Stuff Done. HarperCollins.

Dweck, C. S. (2006). Mindset: The New Psychology of Success. Random House.

Sirois, F. M., & Pychyl, T. A. (2013). Procrastination and the Priority of Short-Term Mood Regulation: Consequences for Future Self. Social and Personality Psychology Compass, 7(2), 115-127.

 
 
 

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